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Da cozinha para a tela

Andre Avila, chef que acompanhou o treinamento de Fernanda Machado, Fernanda D'Umbra e Geraldo Rodriguez para viverem cozinheiros em Procura-se, conta como foi o processo de aprendizado dos atores. 

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Desde os sete anos fazendo fios de ovos com a minha mãe (portuguesa), estagiando nos bastidores, ajudando em banquetes em Nova York e no Ritz Paris para Madonna, Guga e outros, realmente chego mais uma vez a conclusão de que... o poder de nossa alquimia é infinito e interfere diretamente na nossa vida !

Segundo Anthelme Brillat Savarin que disse para eternidade “diz-me o que comes e lhe direi quem és”, pode-se dizer que cozinhar nos traz novas experiências, surpresas, amizades e conhecimentos diários também.

Hoje sou coordenador acadêmico do Iga Instituto de Gastronomia, com 90 escolas na America do Sul. Meu nome é Andre Avila Otero tenho 42 anos e muitos destes na cozinha!

 

Mês passado cheguei na escola e um novo desafio bateu a minha cozinha: treinar três atores. Fernanda Machado (como Mari), Fernanda D’Umbra (como Teresa) e Geraldo Rodriguez (como Dario), em um curto espaço de tempo, deveriam aprender a se portarem como “chef´s” de cozinha. Mas se possível, para minha alegria, cozinharem.

Foram criados 6 pratos especialmente feitos para filme, uma metodologia de ensino curta e rápida, visitas a restaurantes e hotéis e o principal: passar a Fernanda Machado qual seria seu caráter frente aos pratos e finalizações. Tudo isso com muitas horas de aulas dentro e fora da “classe”.

 

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Criar um prato requer fechar todos os espaços possíveis em nossas papilas gustativas, juntar clássicos com modernos, sabores ocidentais com orientais e muitas, muitas texturas ou notas! É como compor uma música!

Graças a muita ajuda de todos envolvidos no projeto, foi dada esta liberdade. Com isso consegui, acho eu, dentro do proposto, selar todos os sabores possíveis em cada preparação, usando de toda experiência que a vida e países onde trabalhei me trouxeram.

As preparações são uma viagem de sabores e texturas que brincam com nossos paladares. Nada é convencional, de convencional já chega nosso sistema de vida!

Na vida conviver é aprender e mais uma vez aprendi e muito. o quanto a “ordem do dia” do cinema, pode ser útil na cozinha que também tem a nossa,” misen places”. Enfim, fiquei apaixonado pelo trabalho e com sentimento de dever cumprido onde com ajuda de todos e muito comprometimento dos atores e da “Mari” em especial, nossa arte se destacou em sabores, cores e finalizações artísticas.

Mais do que isso, consegui que ela despertasse ainda mais suas habilidades com a cozinha e sabores. Espero ter dado um “up grade” em mais uma futura cozinheira de mão cheia e “chef”, pois cozinha é amor, simplicidade e caráter com alimentos e companheiros.

 

A gastronomia acompanha-nos e sustenta-nos desde o nascimento até a morte. é ela que nos aumenta as delícias do amor, a confiança da amizade, que desarma a ira, facilita os tratos e nos oferece no curto trajeto das nossas vidas, o único prazer que, não sendo seguido de fadiga, nos revigora todos os outros.”

Jean anthelme brillat-savarin (1755 – 1826)

 

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Fernanda Machado é Mari

Fernanda Machado explica um pouco mais sobre sua personagem no filme. Veja abaixo:
 

 

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PROCURA-SE um estagiário


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Duas semanas de filmagem e algumas horas de sono não concretizadas atestam para o que se segue: No cinema, somos todos procurados. Um filme é um jogo que começa no ato de procurar, passa pelo momento de encontrar até chegar a um fim que, por ser sempre imprevisível, não há verbo algum que possa defini-lo. Sei apenas que há um fim, e é nele que todos concentram suas forças. 

Já me procuraram algumas vezes, - sim, o estagiário também é um procurado - e creio que a cada vez que me encontram, sou um Pedro mais sábio do que o menino que foi encontrado após a procura anterior. Tenho aprendido muito. 

Seguem então algumas notas tomadas por nosso querido estagiário (eu mesmo), que já teve a honra de receber broncas acompanhadas de palavras e expressões como “criança” e “gnomo doidão” e mesmo assim permanece por aqui, entre os cineastas loucos, vivo e firme: 

- Às vezes beber um energético é uma boa pedida para poder manter o pique e a atenção. 

- No set é preciso correr ao invés de andar, porque para tudo há urgência. 

- Ler a ordem do dia e prestar atenção a cada detalhe, para chegar ao set com as informações na ponta da língua. 

- Trabalhar em harmonia com os demais departamentos, fazendo exigências que vêm do seu.

- Oferecer cadeiras para os atores nos momentos de descanso entre trocas de lente de câmera e derivados. Colocá-los sempre próximos do local exato da filmagem, pois no momento em que a voz que vem do além conclama solenemente “vamos rodar!”, nossos astros precisam estar a postos. O tempo no cinema é precioso.

- De vez em quando não faz mal agraciar os atores segurando um guarda-sol (que tem até nome: “a magia do cinema”) sob suas cabeças, protegendo-as do sol escaldante. 

- Vestir a roupa de sapo e dar uns pulinhos - resumindo, se virar! – em algumas situações. 

- Analisar o mapa de transporte de cada dia (o pão também, mas este só na hora do café da manhã, logo ao chegarmos à base), conferindo horários de saída e chegada de toda a equipe.  

- Fiscalizar os 100 indivíduos da figuração, garantindo que todos passem pela maquiagem, pelo figurino e que cheguem sãos, salvos e pacientes ao set. 

- Em dia de externa: Ao levar fora de um passante que te pergunta indignado “comprou a rua agora, é?”, tratar de ficar calado e apenas esperar o sujeito seguir seu caminho dessa para uma melhor (não se enganem: do set para suas casas) para assim poder voltar a exercer sua simpatia habitual, porém com membros de sua própria família.  

- E por fim, a dica mor: Por mais que a sua rotina se resuma a ser pressionado e você esteja em desespero, confuso e sem chão, você precisa ser o cara. Ou melhor, fingir ser o cara. Isso mesmo. Estagiar é o momento de despertar o ator que em ti adormece desde sempre e encenar com perfeição, diante de todos, uma personificação fajuta de um “profissa”. Nessa situação, o que você faria? Se esconderia, imagino. Entenderam agora o motivo pelo qual o estagiário também é um procurado?

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Procura-se vai ao Theatro

Semana passada filmamos em clima de gala. Fomos até o Theatro Municipal de Paulínia e vocês podem conferir um pouco do que aconteceu por lá abaixo.

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A arte do silêncio

Em um set de filmagem o silêncio é coisa sagrada. São muitas pessoas reunidas em ambientes na maioria das vezes apertados, ingrediente suficiente para atrapalhar alguma cena importante. Nesse momento a presença de uma voz de autoridade chamando a atenção de todos é essencial. No nosso set essa voz é do Paulão, o platô voz de ouro. A admiração pelo estilo de pedir silêncio é tanta que o diretor Michel Tikhomiroff até transformou uma das chamadas em música, sinta só:

 Silencio Senhores! by Mixer Produtora 

Já mostramos o Paulão por aqui, mas para ajudar a casar voz com a figura a gente mostra de novo. Poderia ser a capa do primeiro disco?

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As loucas aventuras de um estagiário na terra dos “Profissas”


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Em terra de cego quem tem um olho é rei”. Certo. Em terra de “profissa” quem estagia é herói. Cuma? Explico: Às vezes olho para alguns de meus chefões (e, acredite se quiser, são vários. O que estagiário mais tem é chefe) e identifico um ser transcendental, com os sentidos aguçados e o dom da palavra crua e certeira. “Nossa, falei bonito”, acabo de pensar. “De certo, um herói”, suponho. “Tradicionalmente, um herói”, racionalizo.

Durante o breve curso de nossas vidas, somos obrigados a assimilar o conceito de herói como “aquele ser que tem uma aura a sua volta”, uma celebridade, um expert, um chefe. No entanto, permito-me nesse momento citar algumas passagens de uma música da banda brasileira “O Rappa”, que se chama “O Fininho da Vida”, para que eu possa deixar bem claro onde o pobre coitado do estagiário entra nessa analogia maluca: “Por entre as trincheiras, barracos, passam num sopro da vida, subindo e descendo em silêncio no caminho apertado que tem, é o fininho da vida”; “os verdadeiros heróis são os guerreiros da lida”. Desmistificação animadora, não é mesmo? Bom, seguindo essa linha de pensamento – corrijam-me se eu estiver errado - sou um herói. E é aí que a auto-estima atinge níveis estratosféricos. O que mais um mero estagiário iria querer, se não se sentir bem consigo mesmo, em meio à quantidade de vozes que o atormentam em seu radinho diariamente? Não passo por entre trincheiras e barracos, é verdade. Ou melhor, pelo menos ainda não passei. Mas talvez psicologicamente falando eu esteja imerso em um cenário semelhante...

Quando eu receber meu certificado de herói e o que é apenas teórico se transformar em ofício (carimbado, registrado e o escambau), meu próximo passo será escrever um livro em que reportarei as peripécias que abrilhantaram minha dura jornada. Como eu não ando, eu quico (piada interna) já tenho até o título: “As loucas aventuras de um estagiário na terra dos ‘profissas’”. Vou vender milhões, ficar rico e provavelmente nunca mais estagiar. Viverei como um rei, uma vida de memórias. Digno de um herói, mas só de filme.

Daí me lembro que estou apenas fazendo um filme e não vivendo em um. Me volto para o mundo real e recordo: Sou Pedro, o estagiário.   

 

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Entre um take e outro

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Enquanto esperava no set Mateus Solano, que vive Caio no filme, flagrou a correria no momento da filmagem de uma cena.

Mas não é só de correria que vivemos. Entre um take e outro Mateus e Fernanda Machado dão um jeito de descontrair o clima:

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Recapitulando: Ensaios

Antes de começarmos as rodagens de Procura-se tivemos alguns ensaios interessantes, os quais vamos mostrar agora. No filme Fernanda Machado interpreta Mari, uma talentosa subchefe de cozinha. Para se preparar para o papel ela contou com a ajuda do chefe André Otero do IGA, Instituto Gastronômico em Campinas. Foram algumas aulas teóricas e práticas para entender e entrar no universo da personagem. Veja alguns momentos das divertidas sessões de aprendizado:

Fernanda Machado
Fernanda Machado (como Mari)
Crédito: Ricardo Picchi

André Otero e Michel Tikhomiroff
O Chef André Otero e Michel Tikhomiroff
Crédito: Ricardo Picchi

Angelo Bolsonaro e Geraldo Rodrigues
Angelo Bolsonaro (que também é professor do IGA e participa no filme como Miguel) e Geraldo Rodrigues (como Dario)
Crédito: Ricardo Picchi

Fernanda D
Fernanda D'Umbra (como Teresa)
Crédito: Ricardo Picchi

Fernanda Machado e Michel Tikhomiroff
Michel Tikhomiroff e Fernanda Machado
Crédito: Ricardo Picchi

 

Outra experiência curiosa na pré-produção do filme foram os ensaios no que ficou conhecido como "Dogville" pela produção, em alusão ao filme de Lars Von Trier. Trata-se um grande estúdio vazio com espaços marcados com fita branca no chão. O diretor Michel Tikhomiroff conta um pouco mais da idéia e dos benefícios desse processo:

A idéia de ensaiar com os atores da maneira que fizemos veio de um papo que tive com o Vicente Amorim (e os ensaios que ele fez no Corações Sujos) e também do livro Fazendo Filmes, do Sidney Lumet.

A brincadeira de batizar nosso estúdio de "Dogville" foi apenas pela semelhança estética com o "cenário"do filme do Lars Von Trier. Algumas cenas puderam ser ensaiadas na própria locação que está sendo usada no nosso filme. Mas na maior parte, desenhamos com fita crepe no chão do estúdio os ambientes nas dimensões reais e posicionamos os móveis respeitando a geografia das locações onde estamos filmando. Assim, a movimentação dos atores nos ensaios pode ser totalmente replicada no "mundo real".  Isso faz com que os atores cheguem no set totalmente prontos. Não usei nenhum preparador de elenco. Ensaiamos praticamente todas as cenas do filme no período de duas semanas.

No set a minha sintonia com os atores está sendo total, pois tudo já foi discutido e estabelecido nos ensaios. Todos sabemos de onde os personagens vem, para onde vão, e em que momento de suas vidas estão. Na filmagem fazemos apenas alguns ajustes finos. Isso está economizando muito o tempo no set e criando uma atmosfera muito tranquila e produtiva.

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Janaina Afhonso (como Joana, irmã de Mari) e Fernanda Machado

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Fernanda Machado, Janaína Afhonso, Clarisse Abujamra (como mãe de Mari) e Michel Tikhomiroff

 

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Quem faz o Procura-se

Essa aqui é uma parte da equipe que faz o filme no dia-a-dia. Seja gravando em estúdio ou em externas, com sol ou com chuva, são eles que pensam, planejam e executam as tarefas necessárias para transformar idéias em cenas.

Fique de olho, mais pra frente vamos mostrar mais rostos que fazem parte desse processo.

 

Mateus Solano como CaioMateus Solano

 

Jully Irie - Assistente de DireçãoJully Iries - Assistente de Direção

Donna Meireles - MaquiadoraDonna Meireles - Maquiadora

Paulão Costa - PlatôPaulão Costa - Platô

 

 

 

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Pedro: O estagiário

Este é o primeiro post de Pedro Karam, nosso estagiário no set de "Procura-se". É a partir do olhar dele que saberemos tudo sobre o dia-a-dia, as curiosidades, descobertas e dificuldades dessa participação em seu primeiro projeto audiovisual.

Pedro, o estagiário

Com vocês, o estagiário!

Há quem diga que o Cinema é dos loucos. Bom, pode até ser. Fazer Cinema é uma luta diária. É pra quem quer, é pra quem pode. E é pra quem ama. Você deve estar se perguntando em que me baseio quando digo isso. E eu respondo, sem problemas: me baseio no que li e no que ouvi, já que nunca de fato vivi. E agora, cá estou eu. Estagiário de direção em um longa metragem. Produção da Mixer. Equipe grande. Se ainda não vivi o cinema, penso que esta é a hora, este é o meu momento. Aqui e agora. Mas, querendo ou não, sou estagiário. O que isso significa? Provação. Mostrar a que veio, se atirar numa experiência nova, cercado por pessoas que sabem muito mais do que você e, conseqüentemente, ser testado com freqüência. Um humor enigmático, às vezes disfarçado em algo sério, é o que os “profissas” exercitam na presença do estagiário, fazendo-o se questionar o tempo todo. Sujeito a ouvir coisas como “eu duvido que você busque o pêssego que está lá embaixo, lave e traga pra mim”, o estagiário está com a cabeça sempre a mil. Quando estão falando sério? Quando estão apenas brincando? Eis as questões...

Primeiros dias recheados de situações diferentes. Arrumar a sala. Corta. Ajudar no teste de elenco. Corta. Ouvir piadas. Corta. Buscar atriz no aeroporto. Corta. Buscar o ator no aeroporto. Corta. Registrar em vídeo uma aula de culinária. Corta. Escrever no blog do filme. Corta. Uns dias de muitos “cortas” mas também de coisas vividas e vívidas, todas representantes da maneira peculiar que um filme tem de se mostrar vivo.

Que loucura! Entro nos escritórios de cada Departamento e vejo pessoas determinadas a transformar um projeto impresso no papel em um filme. E eu estou ali, no meio disso tudo. Creio que esse pessoal está querendo me deixar louco. Talvez eu resista a princípio. Mas sinto que no fim acabarei cedendo. Serei um deles e com orgulho. E então...

Corta.

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